O que podemos afirmar ou falsear em relação a Deus? Poderíamos afirmar que ele existe, já que toda existência presume presença? Qual seria então o verdadeiro sentido da referência da linguagem religiosa? Quando falamos de Deus usamos uma referência que é apenas analógica, não existem pressupostos de verdade que possam estabelecer uma relação de verdade ou da negação de Deus. O que temos são apenas modelos do qual podemos construir uma verdade, mas que também não estabelecem nenhuma garantia para nós.Toda abordagem teológica se encontra estabelecida pela razão. Porém esta não diz nada sobre a fé segundo o fideísmo. A tradição ocidental Racional está voltada para o argumento, a lógica, a não-contradição. Se entrarmos em contradição com alguma fala ou argumento, isso basta para sermos desacreditados em nossa cultura Ocidental. Essa situação é bem diferente da cultura oriental. Nosso argumento não nos dá subsídios para definirmos e sabermos o que somos nem mesmo por uma interpretação acerca do nosso genoma, que nos é tão complexo, o que dirá a questão de Deus, do absoluto!
Homem, um ser limitado
Alguns problemas dos quais nos propomos resolver, nem sempre obtemos uma resposta satisfatória, como, por exemplo, porque somos intolerantes aos erros dos outros se nós mesmos erramos? Nos apresentamos enquanto seres de necessidade, de busca, de carência, de incompletude, de insatisfação, de realizações, de conflito e de confronto. Até aí tudo bem, mas conseguimos responder racionalmente como manda nossa cultura ocidental e de forma satisfatória todas essas questões e também àquelas que dizem respeito a Deus? Para os filósofos materialistas e empiristas Deus é apenas uma hipótese que criamos para nos proteger e reconfortar nossa angústia existencial. O argumento em favor da existência de Deus é o ontológico. Descartes retoma o argumento ontológico a partir da idéia de infinito. Somos seres finitos, mas possuímos a idéia de infinito, ou seja, a causa se iguala ao seu efeito: se eu não sou infinito, mas tenho em mim a idéia do infinito é necessário que alguém tenha colocado esta idéia na minha mente. Por isso, para Descartes podemos concluir que Deus existe. Mas isso ainda seria i suficiente?
Qual seria, então nossa garantia?
A vida não nos dá nenhuma garantia. Não nascemos prontos, buscamos o auto-conhecimento. Nos estabelecemos em um constante vir a ser, um grande vazio da nossa existência, e uma grande vantagem também. Todas as contribuições filosóficas ou religiosas acerca de Deus não estão apoiadas em verdades últimas que possam nos confortar ou nos dar garantias.A relação com o mundo, com nós mesmos, e com o outro enquanto sujeitos autônomos é a crise que torna fundamental a nossa própria busca enquanto sujeito. O outro nos convoca a pensar sempre de um outro lugar. Isso quando damos abertura para esse novo horizonte. É por esse lado que devemos pensar. Preocupar ou não com a existência de Deus não torna a vida mais fácil. É exatamente esse nosso vazio que deveria tornar suportável a nossa relação com os outros. O que também não se pode ser comprovado. Somos intolerantes com o outro.Qual o sentido que buscamos para nossas vidas? Como nos relacionamos com a moral e a ética para estabelecermos um parâmetro de verdade. Seria Deus um representante da moral humana, ou nossa projeção é tamanha que não damos conta das nossas próprias escolhas? Existe, pois uma linguagem que nos seja universal e que nos tornaria mais felizes? Tudo o que a ciência moderna construiu não nos foi capaz de fornecer a felicidade necessária para nos satisfazer. Sua linguagem voltada para a técnica não foi suficiente para preencher essa lacuna encontrada no homem. Dessa forma, podemos concluir aqui que no fundo toda crença é religiosa. Qual será a próxima sensação temporária que inventaremos para sermos mais felizes?
O que diria Freud e Sartre
Para Freud a grande pobreza do homem é o instinto. O homem não age por instinto, mas a partir da cultura e da educação. O desejo é uma construção simbólica da cultura, ele não é natural. Dessa forma nós não nascemos homem ou mulher, nós nos tornamos. Assim vamos estabelecendo relações e significados que implicam num melhor convívio com o diferente, com o igual, enfim, sabemos que o fardo é enorme e talvez por isso, por não darmos conta dessa realidade projetamos em Deus uma resposta para consolar nossa existência.Para Sartre o centro da filosofia existencialista é a Liberdade. O sujeito é a liberdade, ele é livre para optar, menos para não optar. O homem é condenado a ser livre. A consciência antes de qualquer coisa é a liberdade. A realidade humana é aquilo que ela ainda não é; é algo que ainda não construímos ou nos tornamos. A dinâmica é mudar para poder continuar o mesmo.
Autor: Vinícius Andrade de Almeida
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